Pseudocisto de retenção do seio maxilar: como reconhecer na tomografia e como descrever no laudo

Como o pseudocisto se apresenta na tomografia?

O pseudocisto de retenção é uma das alterações mais frequentemente encontradas nos seios maxilares durante a interpretação de tomografias computadorizadas. Na maioria das vezes, trata-se de um achado incidental, identificado em exames realizados para planejamento de implantes, avaliação de terceiros molares ou outras finalidades odontológicas.

Apesar de ser uma alteração relativamente comum, ainda gera dúvidas quanto à sua origem, nomenclatura, necessidade de tratamento e forma correta de descrevê-la no laudo radiológico.

Neste artigo, você vai entender os principais aspectos dessa alteração e como interpretá-la na prática clínica.

O que é o pseudocisto de retenção?

O pseudocisto de retenção é uma lesão benigna caracterizada pelo acúmulo localizado de líquido sob a mucosa do seio maxilar, formando uma elevação focal da membrana sinusal.

Na maioria dos casos, está relacionado a processos inflamatórios que promovem o acúmulo de exsudato no tecido conjuntivo subepitelial da membrana de Schneider.

É uma alteração relativamente frequente, podendo ser observada em até 13% da população adulta, geralmente sem qualquer sintoma clínico.

Sua localização mais comum é o assoalho do seio maxilar, embora também possa ocorrer em outras paredes da cavidade sinusal.

Por que ele é chamado de pseudocisto?

Essa é uma das maiores curiosidades sobre essa alteração.

Apesar da aparência semelhante à de um cisto, o pseudocisto não possui revestimento epitelial, característica indispensável para que uma lesão seja considerada um cisto verdadeiro.

Essa é justamente a origem do prefixo “pseudo”.

Já o cisto de retenção mucoso apresenta revestimento epitelial e surge pela obstrução dos ductos das glândulas seromucosas da mucosa do seio maxilar, levando ao acúmulo de secreção no interior da lesão.

Entretanto, existe um detalhe importante: essa diferença é histopatológica, e não imaginológica.

Na tomografia computadorizada, o pseudocisto e o cisto de retenção apresentam aspecto extremamente semelhante, tornando sua diferenciação praticamente impossível apenas pelos exames de imagem. Por esse motivo, diversos estudos utilizam os termos de forma conjunta ou até mesmo como sinônimos.

Assim, o radiologista deve reconhecer essa limitação diagnóstica e evitar afirmar, com base exclusivamente na tomografia, qual das duas entidades está presente.

Como o pseudocisto se apresenta na tomografia?

O pseudocisto costuma apresentar características bastante típicas:

  • imagem homogênea com densidade de tecido mole;
  • formato arredondado, em p;
  • limites bem definidos;
  • base larga aderida à mucosa do seio maxilar;
  • preservação das corticais ósseas;
  • ausência de expansão ou destruição óssea.

O tamanho da lesão pode variar bastante, assim como sua localização dentro do seio maxilar, embora seja mais frequentemente observada no assoalho sinusal.

Precisa de tratamento?

Na grande maioria dos casos, não.

O pseudocisto costuma ser um achado incidental e permanece assintomático durante toda a vida do paciente.

Estudos mostram que aproximadamente 60% dessas lesões permanecem estáveis ao longo do tempo, cerca de 30% diminuem de tamanho ou desaparecem espontaneamente e apenas uma pequena parcela apresenta crescimento progressivo.

Por isso, quando não há sintomas ou sinais de comprometimento funcional do seio maxilar, normalmente não há indicação de tratamento específico.

A intervenção costuma ser reservada para casos sintomáticos, com obstrução da drenagem sinusal.

Além disso, uma revisão sistemática publicada em 2021 demonstrou que a presença de pseudocistos ou cistos de retenção mucosos, isoladamente, não parece contraindicar procedimentos de levantamento de seio maxilar para instalação de implantes, embora cada caso deva ser avaliado individualmente pelo profissional responsável.

Como descrever essa alteração no laudo?

Um exemplo de descrição seria:

“Observa-se imagem homogênea de densidade de tecidos moles, em formato de cúpula, de limites bem definidos, aderida ao assoalho do seio maxilar esquerdo, sem evidências de expansão ou destruição das paredes ósseas, apresentando aspecto tomográfico compatível com pseudocisto de retenção mucoso.”

Caso o radiologista prefira uma escrita mais resumida, também é possível concluir:

“Aspecto tomográfico compatível com pseudocisto/cisto de retenção mucoso do seio maxilar, aderido ao assoalho do seio maxilar esquerdo. 

Fontes:

ABRO – ACADEMIA BRASILEIRA DE RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA. Tomografia computadorizada e odontologia digital. Santos: Santos Publishing, 2023.

ANITUA, Eduardo; ALKHRAISAT, Mohammad Hamdan; TORRE, Aintzane; EGUIA, Asier. Are mucous retention cysts and pseudocysts in the maxillary sinus a risk factor for dental implants? A systematic review. Medicina Oral, Patología Oral y Cirugía Bucal, v. 26, n. 3, p. e276-e283, 2021. DOI: 10.4317/medoral.24155.

CHA, Jung-Yul; MAH, James; SINCLAIR, Peter. Incidental findings in the maxillofacial area with 3-dimensional cone-beam imaging. American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics, v. 132, n. 1, p. 7-14, 2007. DOI: 10.1016/j.ajodo.2005.08.041.

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