Fusão ou geminação dentária: como diferenciar?

Dentes duplos podem resultar da união de dois germes dentários ou da tentativa de divisão de um único germe. Entenda as diferenças entre fusão e geminação e por que a contagem dentária deve ser interpretada com cautela.

Embora possam apresentar características semelhantes, os dentes duplos podem ter origens diferentes. É nesse contexto que entram os conceitos de geminação e fusão.

Geminação

A geminação é definida como uma tentativa de divisão de um único germe dentário durante  a fase de desenvolvimento.

Como resultado, pode surgir um dente aumentado ou uma estrutura dentária dupla, frequentemente com uma coroa parcialmente dividida.

Classicamente, a geminação foi associada à presença de uma raiz e de um canal radicular em comum. Entretanto, a anatomia pode apresentar variações, e a presença de um único canal não deve ser utilizada isoladamente para estabelecer o diagnóstico.

Pelo critério clássico da contagem dentária, quando o dente anômalo é considerado como um único elemento, o número de dentes permanece normal, nenhum elemento a menos e nenhum a mais.

1 germe dentário → tentativa de divisão → 1 dente aumentado ou duplo → contagem de dentes normal

Fusão

A fusão, por sua vez, corresponde à união de dois germes dentários que normalmente se desenvolveriam separadamente.

O resultado também pode ser um dente aumentado ou uma estrutura dentária dupla, com diferentes graus de união entre os componentes.

A confluência de dentina é uma característica clássica da fusão, mas a anatomia final pode variar bastante.

Diferentemente da geminação, a contagem dentária, quando o elemento fusionado é considerado como um único dente, geralmente revela a ausência de um elemento.

2 germes dentários → união → 1 dente aumentado ou duplo → 1 elemento a menos na contagem

Fusão com dente supranumerário

Quando um dente normal se une a um dente supranumerário, dois germes participam do processo, caracterizando uma fusão.

Porém, como um dos elementos envolvidos era supranumerário, a contagem final dos dentes pode permanecer normal.

Nem todo dente duplo tem a mesma anatomia

Um dente duplo pode apresentar, por exemplo:

  • uma coroa aumentada e anatomicamente bem formada;
  • uma coroa bífida;
  • duas raízes completamente separadas;
  • raízes parcialmente unidas;
  • uma raiz aumentada;
  • um ou mais canais radiculares;
  • câmaras pulpares independentes ou relacionadas.

Ou seja, não existe um único padrão anatômico para fusão ou geminação.

É possível encontrar uma coroa aparentemente dupla associada a duas raízes completamente separadas. Da mesma forma, estruturas coronárias unidas podem terminar em uma única raiz aumentada e apresentar um único canal.

Isso explica por que a diferenciação pode ser difícil quando baseada exclusivamente na anatomia observada.

E qual é o papel da tomografia?

Na avaliação de um possível dente duplo, a radiografia pode levantar a hipótese diagnóstica, mas a TCFC permite investigar com muito mais detalhes a anatomia interna.

Podemos avaliar:

Coroa
→ morfologia e grau de divisão

Dentina
→ presença e extensão da confluência

Câmara pulpar
→ número e configuração

Canais radiculares
→ número, trajeto e possíveis comunicações

Raízes
→ número, forma e grau de separação ou união

Isso é particularmente relevante para o planejamento endodôntico, restaurador, cirúrgico e ortodôntico.

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